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O surf da vida

29 de ago.
2 min de leitura

A vida é a modalidade cuja experiência não pode ser vencida. É preciso se entregar a ela.

Você pode ser habilidoso, determinado, teimoso, talentoso ou até mesmo corajoso, mas a vida ou o mar não se importam com isso. Há dias em que tudo acontece em perfeita sincronia, e há outros em que apenas remamos contra a corrente, levando pranchadas na cabeça das pranchas dos outros, sem o menor senso de justiça.


Caímos e remamos de volta para o line-up com muito esforço, ocupando nosso lugar humildemente no fim da fila. Mesmo assim, por não sermos locais, alguns ainda imaginam que nossa humildade significa covardia.


A vida e o surf ensinam que o objetivo não é a perfeição ou a dominação, mas, acima de tudo, desenvolver uma enorme tolerância ao fracasso. Assumir o papel de um fracassado teimoso e continuar remando.


Errar um pop-up (a subida para ficar de pé na prancha) nos arrasta novamente para longe do nosso objetivo, e lá vamos nós remar outra vez, com os ombros e os pulmões em chamas, pensando: por que fazemos isso?


Achamos que estamos melhores do que no ano passado, mas o mar novamente nos lembra que não existe ego nisso. O surf ensina o quanto são importantes o respeito, a paciência, o timing, o posicionamento e a coragem.


Ele também ensina que, se você esperar o suficiente, encontrará a onda certa e que a natureza favorece os corajosos. Aprendemos também que nem sempre conseguimos pegar as ondas e que nosso lugar ainda não é prioridade para ninguém. E, junto com esse lugar, vem uma grande quantidade de responsabilidades, que têm o peso da vida e que assustam.

Aqueles que têm mais experiência são responsáveis por aqueles que ainda não a têm quando uma emergência acontece.


Mas então, no meio de todo esse caos, pegamos uma onda que coroa o nosso momento. Todo o estresse se desfaz e voltamos a nos sentir leves, sendo novamente nós mesmos.



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